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Insensatez

Por que vida minha, essa dor tão cruel me persegue?
Me ataca, me arrasta, me dilacera e me prende
E se desencadeia formando um elo de senões
E me entristece. E me empurra para o abismo
Alimentando em mim somente ilusões
Como se fosse eu um objeto, maldiçoes!
E me enraivece! Ó meu Deus, que sadismo!
Estou sempre ouvindo e, somente sermões
Que o meu ser, tu não vês? Não entende
Pois quase tudo ele não compreende
Também pudera, tanta maldade
Prolifera nesta imensa cidade
Criando raízes que se estendem
Cada vez mais, oh, por que crueldade?
Esvaiu com o tempo minha mocidade
E isso me enternece e me causa rancor
Porque vejo que não mais existe amor
Neste mundo de pedra, mosaico e granito
Floresta humana, capital do Infinito
E não venha negar, oh retalho de gente
O repudio que sente este pobre inocente
Poesia: Insensatez
Autor: José Guimarães