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Desabafo

Eu sou um palhaço, porque vivo num imenso circo sem lonas.
O céu azul lá no alto resplandece minhas emoções e faz brilhar meus pensamentos.
Aqui eu faço peripécias e você ri.
Porque acha graça de tudo que faço, como se eu fosse um tolo.
No entanto, você pensa assim, e eu acho graça.
Porque rio das suas angústias e desventuras como se não me importasse.
Contudo, sei que representamos a mesma cena, no grande palco de nossa existência, que é a vida.
Somos dois artistas a representarem no grande palco do mundo: você e eu.
É engraçado, porque representamos sem remuneração e estamos constantemente em ação.
Pois não sabemos fazer nada que não seja em benefício de nós mesmos, por isso estamos sempre a reclamar de tudo, como se só nossa vida fosse importante.
A dos outros, pouco ou nada interessaria a nós.
Entretanto, sinto que, por mais que aparentemos alegres, somos desiludidos. Tão desiludidos a ponto de nos enganar a nós próprios.
E, ainda por cima de tudo, tão desconsolados.
Texto poético: Desabafo
Autor: José Guimarães